[ Você Está Aqui: GPC » Entrevistas » Afonso Giordano Neto ]

Veja ao final desta entrevista o link para acessar a página com o trabalho do modelista.

 

 

1. Qual seu nome, sua idade e onde vc nasceu?
Meu nome é Afonso Giordano Neto, tenho 55 anos, nasci em São Paulo – Capital.
Moro no Rio de Janeiro desde 1978.

 

2. Com que idade vc iniciou no plastimodelismo?
Bem, iniciar pra valer foi em 1991, com 41 anos.

 

3. O que e quem o levou a montar kits?
Foi quando conheci a loja do Beto Redcoat na Conde de Bonfim, numa galeria. Tinha marcado uma consulta num médico que por coincidência era na mesma galeria e na hora que passei em frente a loja fiquei estagnado, perplexo, não tinha idéia que existiam uns caras que montavam réplicas em escala com tanta perfeição. Fiquei parado na vitrine admirando aqueles Spitfires e 109´s 1/32, pintados, envelhecidos, quase perdi a consulta! Isso foi no meio da semana e no sábado lá estava eu na loja começando a comprar meus primeiros kits, ferramentas e tintas.

 

4. Qual foi seu primeiro kit? Vc se lembra quando foi, a marca e a escala?
Os primeiros kits montei quando era garoto, não lembro exatamente o primeiro, mas lembro de um Spitfire 1/32, um navio de guerra (encouraçado) e um carro esporte.

 

5. Hoje em dia, o que vc monta?
Bem, no início era meio camaleão, montava de tudo. Hoje já selecionei uma escala pra aviação – 1/48 e gosto também dos carros dos anos 30, 40 e 50 na escala 1/24, 1/25 além de alguns pequenos blindados (carros de reconhecimento) na escala 1/35.

 

6. Como vc escolhe o que montar?
Se me interessar, eu monto!

 

7. Onde vc prefere comprar seus modelos?
Estou evitando compras fora do país, as taxações são absurdas. Dou preferência às lojas no Brasil ou negociações pela internet em sites ou lojas virtuais de confiança.

 

8. Onde vc se espelha para aperfeiçoar suas habilidades? Vc tem algum “ídolo” no plastimodelismo?
Tenho alguns “ídolos” mas não saberia dizer seus nomes, poderia esquecer alguém e aí ficaria chato! Procuro qualidade em sites de modelismo como o IPMS Estocolmo, por exemplo.

 

9. Vc poderia citar fontes de informações que vc usa quando vai iniciar um modelo?
O que mais faço é aviação e minhas fontes de pesquisa são internet – sites e livros que se conseguem através dela; amigos que já montaram determinado modelo e já tem um material disponível ou por livros adquiridos em lojas.

 

10. Que tipo de tintas vc usa?
Meus primeiros kits foram pintados com esmaltes e tintas Tamiya. Achei o resultado maravilhoso, até o dia que conheci a técnica de pintura com tinta automotiva! Hoje, 99% da pintura de um kit faço com automotiva. As tintas de modelismo se tornaram um complemento, são usadas para pequenos detalhes de interior ou cenografia.

 

11. Que tipo de cola vc usa?
Cola líquida: cloreto de metileno e/ou metiletilcetona. Raramente uso tolueno, já usei bastante mas hoje não uso mais.

 

12. Vc teria um projeto ou um sonho ligado ao plastimodelismo que ainda não conseguiu realizar? Qual seria?
Não. Por enquanto não pintou!

 

13. O que vc gostaria de ver em forma de kit (ou montado)?
Ahhh, é tanta coisa...difícil responder!

 

14. Qual foi seu maior sucesso (ou sua maior vitória) no plasti? Algo que tenha sido uma conquista, algo difícil de se conseguir, ou que lhe deu o maior prazer.
Tem alguns modelos que depois de montados são verdadeiras vitórias. Isso se der sorte de ficarem bem montados. Kits short-run, onde nada encaixa com nada e no final se tem um bom resultado. São grandes desafios onde o prazer (ou desprazer) vem depois de vê-los prontos. Claro que gosto dos Hasegawas e Tamiyas, mas os short-run são verdadeiras escolas, o desafio faz você pensar, exercitar, experimentar e acaba descobrindo e aprendendo muita coisa.

15. Qual sua maior “trapalhada” no plasti?
Acho que foi removendo a tinta de um modelo com thinner achando que era álcool!

 

16. Qual a maior dificuldade ou o modelo mais difícil que vc já enfrentou?
Modelos mais difíceis...fazer todo o interior de um Fokker Dr I 1/28 em scratch, todo o detalhamento da caçamba de uma pick-up Chevy 1950 - 1/24 em scratch pra transformá-la num guincho (reboque), todos os kits que já montei ou em linha de montagem da Classic Airframes 1/48.

 

17.  O que (ou que etapa) de um modelo vc mais gosta de fazer, e por que?
A pintura. É nela que as vezes muitos trabalhos de detalhamento se perdem se não ficar convincente, realista, com bom acabamento.

 

18. O que (ou que etapa) de um modelo vc menos gosta de fazer, e por que?
Mascarar canopy. Tem que ter muita paciência e técnica. É chato ficar mascarando vidrinhos, mas é uma das coisas que se não estiver bem feita acabam com o modelo. Quando as linhas dos frames de um canopy são na maioria retas, como a cabine do T-6, por exemplo, eu faço com tirinhas de decal pintadas na cor do interior do avião e da camuflagem, fica ótimo e bem mais fácil de resolver (veja em anexo o T-6 da ELO na 1/72). Outra coisa importante são os pneus, tem que estar "rebaixados" na medida certa pra simular o "peso" do avião senão vira brinquedo. Os armamentos também são importantes, canhões e metralhadoras feitos com agulhas de injeção dão um efeito muito realista. Tubos pitot e pequenos detalhes de trem de pouso e motor também são bem resolvidos com agulhas. Escapamentos têm que ser perfurados, nada mais grosseiro que um escape sem os furos. Luzes de navegação...e por aí vai!

 

19.  Vc teria alguma técnica ou material que vc acha que lhe ajuda muito na
montagem de um modelo?

Os materiais que uso são convencionais, acredito que nada especial. Vai depender muito do que estiver montando e dos acidentes de percurso que vierem pela frente...
Alguns bastante interessantes são encontrados em lojas de material dentário, tipo cera utilidade, aquela alaranjada que é ótima pra "segurar" pequenas peças sobre um palito de dentes na hora da pintura. Normalmente pinto o modelo apoiado em 3 pontos numa base feita com um pedaço de cartão paraná e 3 cubos de isopor forrados com papel carta pra evitar possíveis reações das tintas a base de thinner (ainda úmido) com o isopor. Se tiver uma sobrinha de isopor, colo na base onde tiver espaço pra espetar aquelas pequenas peças pintadas sobre os palitos de dentes. A superfície do modelo tem que estar muito bem preparada pra não comprometer o acabamento final. As frestas costumo preencher com o próprio primer ou com pequenos pedaços de plástico ou bonder e depois lixando com
cuidado pra não perder a forma. Não uso putty, pois retrai com a aplicação de tintas a base de thinner. A diluição da tinta (leitosa, quase transparente) é importante pra evitar porosidades. Quanto melhor o thinner, melhor o resultado final da pintura facilitando a aplicação dos decais. Se tiver que dar polimento, espero a tinta secar bem. Você sabe quando está seca cheirando o modelo. Se não tiver cheiro de tinta é porque está completamente seco. Polimento com massa de polir numero 2 diluida para áreas mais porosas. Para áreas menos porosas, Liquido Lustrador da 3M. Lixas de polimento: Uso as da Tamiya (1200, 1500 e 2000), excelentes.Acho que a coisa mais exótica ou não tão comum no plasti que já fiz foi preparar cores automotivas especiais com pigmentos artísticos.

 

20. Vc teria alguma dica para os modelistas iniciantes ou veteranos?
A paciência é uma árdua conquista. Paciência...muita paciência....começar com modelos em escala grande onde você pode errar mais e ir diminuindo na medida que for se aprimorando.

 

21.  Há alguma estória curiosa, relacionada ao plasti, que vc gostaria de contar?
A história não é tão curiosa, está mais pra frustrante, infelizmente... ganhei um “best-of-show” num salão onde não havia competitividade...

 

 

 

Veja a galeria de fotos aqui!!


© Copyright 2010, Grupo GPC®. direitos reservados
Produzido por Dinamicsite