Falando de Plastimodelismo – Parte 1
Há tempos atrás, acompanhei longas e acaloradas discussões em um clube de modelismo sobre se “tal coisa era assim ou assim”. Discutia-se com fervor detalhes de tanques ou aviões dos quais não havia sequer um exemplar intacto há décadas. Quase sempre essas discussões se baseavam nas poucas plantas, diagramas e fotos de má qualidade disponíveis na época.
Curiosamente, kits eram (e ainda são) injetados baseados nessas mesmas informações incompletas. O que é mais curioso ainda, é que alguns desses kits até hoje ainda existem – por vezes, por serem os únicos - mesmo com todas as incorreções de muitos anos atrás! Exemplos disso são o MiG-25 da Revell e o MiG-31 da Lindbergh, ambos na 1/48.
Depois de muitos anos de modelismo, tive a oportunidade de viajar ao exterior. Nessas viagens pude ver – ao vivo, em cores e por vezes, em ação – aqueles aviões, tanques e navios que tanto haviam me inspirado.
Qual não foi a minha surpresa! Eles eram diferentes do que eu sabia ou mesmo imaginava! Nas formas, nos detalhes e – mais que tudo – na impressão. Os aviões eram mais complexos, maiores ou menores, as transparências mais ou menos transparentes do que eu conhecia por fotos. Um B-52 é imenso, bem como uma B-29 – mas este último era menor do que eu supunha. Um Me-163 Komet é minúsculo – é até difícil imaginar uma pessoa dentro dele,
Ao final, senti que todos os modelos que eu já tinha visto – mesmo os melhores – eram apenas representações muito simplificadas de coisas muito mais complexas.
A textura do convés de um porta-aviões, o aspecto de uma torre fundida de um tanque, a delicadeza e complexidade do porão de rodas de um avião são muito diferentes do que conseguimos representar em um modelo. Aspectos como sujeira e desgastes, “peso” nas rodas, o caimento de esteiras ou do cordame de um navio são muito diferentes do que conseguimos representar.
Ao me dar conta disso, lembrei-me de uma frase que li há muito tempo: plastimodelismo é uma representação de um objeto tridimensional, usando plástico e técnicas de maquetismo. Uma representação.
Hoje em dia há várias “escolas” – ou correntes - do plastimodelismo. De maneira geral, as três principais são: a escola inglesa, a americana e a hispânica. Elas abordam a representação do objeto em forma de modelo de maneiras distintas.
A escola inglesa tende a valorizar a perfeição técnica do modelo. Detalhes minúsculos são reproduzidos de maneira tridimensional, exibindo um virtuosismo técnico onde o objetivo é mostrar o objeto do modelo como um mecanismo, através dos detalhes. Essa escola é bastante antiga, e tem expoentes como John Alcorn, mestres na arte do “scratch-build” - ou seja, constru’~cao de modelos a partir apenas de fotos, plantas e desenhos.
A escola americana valoriza a impressão de uso do objeto. Desgastes, esfumaçados, sombreamentos e pequenas manchas – por vezes exagerados - dão vida ao modelo e o tornam mais real. Tentam assim transmitir credibilidade ao modelo, buscando representar a impressão do objeto real.
Há por fim a escola hispânica, bastante recente. Nela, além das técnicas já conhecidas do plastimodelismo, lança-se mão de algumas técnicas de pintura como o glazing ou o trompe-l’oeil para fazer uma representação convincente de um modelo – novamente, tentando capturar a impressão do objeto real.
As técnicas e escolas de plastimodelismo hoje existentes visam trazer realidade para uma representação. Isso pode ser atingido de várias maneiras.
Qual é o melhor, podemos nos perguntar. Que escola, ou técnicas o plastimodelista vai utilizar depende do gosto, gasto e habilidade de cada um.
Quando olhamos um modelo, ou um diorama, ou uma foto dos mesmos e – por uma fração de segundo – acreditamos que estamos olhando o objeto real, creio que o plastimodelista atingiu seu objetivo.
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