1. Qual seu nome, sua idade e onde vc nasceu? Como vc é conhecido (“nick”)?
João Carlos Gregoris – tenho 38 anos, nasci em São Paulo, na capital. Meus amigos me chamam de Johnny!
2. Com que idade vc iniciou no plastimodelismo?
Eu comecei no plastimodelismo aos 8 anos de idade.
3. O que e quem o levou a montar kits?
Meu pai vinha falando de modelos para montar há algum tempo, e me deu um no Dia das Crianças de 1975.
4. Qual foi seu primeiro kit? Vc se lembra quando foi, a marca e a escala?
Meu primeiro modelo foi um F4U-1D Corsair da Revell brasileira, na escala 1/72, naquele dia das crianças de 1975.
5. Hoje em dia, o que vc monta?
A intenção é muito maior que a realização, hoje em dia!.. Mas gosto principalmente de aviação (1/72 e 1/32), navios (qualquer escala) e militaria (1/72) até a Segunda Guerra Mundial, com algumas coisas depois, nos mesmos temas.
Na verdade, monto hoje o que montava quando era criança, exceto para militaria, cuja oferta era muito limitada ou inexistente quando eu era pequeno.
Monto também modelos de papel (e também os montava quando criança, foram aliás meus primeiros modelos!), mas concentrado em temas arquitetônicos (castelos, catedrais, etc.).
6. Como vc escolhe o que montar?
Vou pelo resultado que visualizo ser possível obter, pelo objeto final: se eu visualizo que o modelo vai ficar um negócio muito legal e bonito quando montado, e se eu puder dizer que o trabalho foi meu – cato o modelo para montar!
Recentemente, devido à oferta muito maior sobre um mesmo tema, tenho selecionado o melhor modelo disponível – mas o critério acima tem prioridade.
7. Onde vc prefere comprar seus modelos?
Não tenho uma loja de preferência, mas prefiro comprar em lojas a comprar pela internet.
8. Onde vc se espelha para aperfeiçoar suas habilidades? Vc tem algum “ídolo” no plastimodelismo?
Tenho ídolos e referências – não precisa ser sempre um grande montador para me ensinar técnicas e me inspirar para construir um modelo. “Ídolos” poderiam ser o Marcus Nicholls (todas as áreas), o Juan Manuel Villalba (aviação) e o Lorren Perry (navios). Como referência, tenho o Paul Boyer e o montador profissional da Fine Scale Modeler (esqueci o nome agora) e o João Tavares Fusco, dos velhos tempos do GPPSD.
9. Vc poderia citar fontes de informações que vc usa quando vai iniciar um modelo?
Montagens em revistas (porque as dificuldades já foram avaliadas e a pesquisa já foi feita, e dificilmente quero incorporar mais detalhe e acabamento do que está ali) e/ou literatura específica sobre o tema original. Algumas vezes, a Internet. Mas prefiro material impresso, porque é mais fácil de consultar e tem que estar à mão todo o tempo!
10. Que tipo de tintas vc usa?
1) Acrílica 2) Sintético 3) Duco.
11. Que tipo de cola vc usa?
1) Jet
2) Cola Líquida Testors
2) Cola de Tubo Testors
4) Super Bonder
12. Vc teria um projeto ou um sonho ligado ao plastimodelismo que ainda não conseguiu realizar? Qual seria?
Sim. Ter uma coleção abrangente de temas que eu gosto montados, com qualidade.
13. O que vc gostaria de ver em forma de kit (ou montado)?
Porta Aviões Japoneses da Segunda Guerra Mundial na escala 1/350. Encouraçados japoneses e ingleses da segunda guerra mundial na mesma escala.
14. Qual foi seu maior sucesso (ou sua maior vitória) no plasti? Algo que tenha sido uma conquista, algo difícil de se conseguir, ou que lhe deu o maior prazer.
Montar o Yamato daTamyia na 1/350 com photoetch da Gold Medal Models.
15. Qual sua maior “trapalhada” no plasti?
Sacudir uma lata de tinta grafite que eu usava para pintar pneus sem segurar a tampa. Voaram a tampa e a tinta grafite para o chão, para a parede e para o Corsair Revell 1/32 que eu estava montando, quando eu tinha uns 10 anos de idade.
Também fui tirar o lacre de uma lata spray de tinta alumínio uma vez com a ponta de uma tesoura, acabei apontando para a lata e furei o recipiente. Até acabar a pressão na lata, foi tinta prateada para um monte de lugar, inclusive para a minha mão, que tive que botar em cima para não espalhar muito.
Putz, uma vez sentei em cima da fuselagem do kit do Do-215 1/72 da Revell nacional! Não estava montado, mas deu para rachar a fuselagem perto da asa.
16. Qual a maior dificuldade ou o modelo mais difícil que vc já enfrentou?
Terminar a pintura de inverno de um Stuka 1/72 da Fujimi foi duro. Gerenciar a pintura + montagem com photoetch do Yamato 1/350 da Tamyia também.
Mas, o modelo mais dificil que eu já montei não foi em plástico – foi um modelo em papel com photoetch de um transatlântico muito antigo, o Augusta Victoria. Fazer mastros de scratch em latão e fazer os cabos de stretched sprue, montar mais de 50 respiradouros de convés em papel com retoque na pintura para dar melhor acabamento, pintar e instalar photoetchs no modelo foram as coisas mais difíceis, complicadas ou sacais que já fiz em modelismo! Mas valeu a pena.
17. Vc teria alguma técnica ou material que vc acha que lhe ajuda muito na montagem de um modelo?
• Uso de Super Bonder para selar juntas - dá um acabamento excelente, é rápida na secagem e ajuda a colar mais a emenda.
• Uma lima chata de relojoeiro, de ponta, com um dos bordos "cegos" - o bordo cego é uma enorme vantagem, pois posso limar pela face que corta sem me preocupar com o bordo a 90 graus, que geralmente apoio na peça enquanto limo.
• Uma pinça de relojoeiro muito fina e pontiaguda, com o fechamento super-suave - não cansa a mão, pega coisas super-delicadas e a ponta serve como instrumento de exploração e posicionamento.
• Uma lima de relojoeiro de dupla cana, bem pontiaguda - a ferramenta para fazer scribbings mais versátil e segura que eu tenho.
• Verniz fosco da Testors - dilui e espalha muito bem e dá ótimo acabamento, uniformizando o brilho da pintura.
18. O que (ou que etapa) de um modelo vc mais gosta de fazer, e por que?
Montagem. Porque é o que tenho mais facilidade para fazer. Curto mesmo!
19. O que (ou que etapa) de um modelo vc menos gosta de fazer, e por que?
Não que eu não goste de fazer, mas ainda não me sinto totalmente à vontade, fluente na pintura com aerógrafo. Não curto muito ficar detalhando interiores de avião - quero acabar o mais rápido possível.
20. Vc teria alguma dica para os modelistas iniciantes ou veteranos?
Eu teria uma ou outra coisa a dizer:
Iniciantes:
1. Bem vindo ao maior hobby do mundo!
2. Espero que você tenha um armário grande.
Veteranos:
1. Continue.
2. Leve seus modelos a concursos. Você é importante e é prestigiado pelos mais jovens, acredite.
21. Há alguma estória curiosa, relacionada ao plasti, que vc gostaria de contar?
As melhores foram as grandes compras de modelos no exterior, o trabalho de desmontar caixas e árvores e fazer caber na mala, protegendo os modelos para chegar em casa – e chegar em casa e abrir a mala!
Mais recentemente, ir ao exterior e conhecer em pessoa lojas e modelistas que eu só conhecia de revistas tem sido uma experiência muito boa. Espero fazer mais no futuro, e colaborar para desenvolver mais o hobby.
Conheci recentemente um grande montador francês, de idade próxima à minha. Quando começamos a conversar, percebemos os dois, com certo encantamento e espanto (susto?) que tínhamos tido essencialmente as mesmas experiências e percepções no hobby ao longo de trinta anos ou mais de vida.
Foi como se o hobby tivesse ao longo de décadas construído uma enorme rede de comunicação e ligação entre seus membros, forte mas invisível, esperando pelo momento oportuno para ser ativada. E com a moderna tecnologia, esse momento chegou. Senti o mesmo quando em um editorial do Marcus Nicholls (TMMI – N.R. Tamiya Model Magazine International), ele agradeceu aos leitores de todo o mundo pela preocupação com ele e a equipe da revista com relação aos atentados em Londres. Esses momentos foram marcos, algo maior para o hobby, e possivelmente, maiores do que ele mesmo.
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