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1. Qual seu nome, sua idade e onde você nasceu? Como você é conhecido (“nick”)?

Guilherme Perdomo de Castro, nascido aos doze dias do mês de abril no Ano da Graça do Senhor de 1.953, na esfuziante e dinâmica Cidade de São João D’el Rey - Minas Gerais, próximo ao porto, que dá vazão ao Oceano Pacífico e ao lado do Aeroporto Internacional.Sou casado há 32 anos, tenho cinco filhos e 7 netos.Formado em Administração pelo Mackenzie e em Direito pela F.M.U. Apelido no meio do pessoal de plasti, não tenho, em casa é Gui.

 

2. Com que idade você iniciou no plastimodelismo?

No século passado, em 1.963 quando tinha 10 anos.

 

3. O que e quem o levou a montar kits?

Já em 1.961 meu pai, quando voltava de viagem dos E.U.A (ele era engenheiro da Clark-Michigan de tratores sobre rodas) quando suas malas eram abertas,sempre apareciam alguns kits para montar da Monogram, Aurora, Hawk e outras marcas que hoje em dia, só se vê em museus.Quando ele ia montar, eu sempre era convidado a ficar com junto,onde era explicado o que representava o modelo (barco,carro ou avião)onde operou,sua importância e também era o momento de perguntar sobre mim,como estava indo na escola,etc.Por diversas vezes ele se ofereceu para me ajudar a montar um kit,que eu achava muito complexo e enfadonho.Abrir o saco plástico,verificar as árvores,tirar as peças,lixar ,colar,esperar secar !Deus me livre!Eu preferia ir para o quarto desenhar ou ver televisão(Ivanhoé,Jim das Selvas,National Kid,Peter Gun,etc.)ou jogar bola com os vizinhos.Achava bonito os modelos montados mas,na época,não era a minha praia!

 

4. Qual foi seu primeiro kit? Você se lembra quando foi, a marca e a escala?

Era um domingo,depois do almoço e estava bem friozinho.Ele ,eu e minha mãe fomos ao cinema,no Cine Olido,bem no centro da cidade.O filme que estava em cartaz era “As Pontes de Toko-Ri”, com William Holden. Obviamente que minha mãe detestou o filme,eu adorei!Os jatos Phanter em operações no convés de vôo,as cenas de ação com o helicóptero de resgate(pilotado pelo Mickey Rooney) e a cobertura dos pilotos abatidos,proporcionados pelos Corsairs e Skyraiders me impressionaram profundamente. A conversa durante a volta foi só a respeito do filme. Chegando em casa, não tive dúvida, pedi um kit para montar. Como era “calouro”, o meu primeiro modelo foi um Convair F-102 da Revell nacional, que era fácil de montar. Era moldado em plástico prateado só precisando montar, pintar o bico e as rodas de preto, colar os decais e partir para o abraço.

 

5. Hoje em dia, o que monta?

Sempre gostei de aviação militar, sendo que tenho um carinho todo especial com os “Aviões X”, porém,não descarto uma boa militaria, lanchas de desembarque ou “PT Boat”.

 

6. Como você escolhe o que montar?

Escolho o kit a ser montado quando fico empolgado com a leitura de uma história, reportagem ,artigo ou algum fato relacionado ao avião ou teatro de operações em questão. Pode ser um Me 109 da Campanha da Rússia ou um F-84 da Guerra da Coréia ou um Panavia Tornado da Guerra do Golfo. Depende do momento.

 

7. Onde prefere comprar seus modelos?

Nas lojas que temos em S.P. Não gosto de comprar fora, prefiro prestigiar os lojistas honestos.

 

8. Como você procura para aperfeiçoar suas habilidades? Você tem algum “ídolo” no plastimodelismo?

As revistas especializadas em “plasti” as vezes ensinam coisas muito interessantes mas nada se compara a troca de informações entre plastimodelistas. Você aprende os “macetes”,técnicas e truques “in loco” ou seja, vendo, fazendo e se exercitando. Como acho que a vida é um eterno aprendizado, não tenho constrangimento,ao ver um trabalho que me agrade, em procurar o modelista e perguntar como ele fez “tal coisa”. Infelizmente em nosso meio, existem alguns “turrões” que acham que aquele “segredinho” deve ficar só para ele. Pura bobagem! Modelismo é hobby, um fator de relaxamento e integração entre os praticantes.Um excelente laboratório são as Convenções. Conversar com os modelistas mais tarimbados e perguntar como ele fez aquele efeito de pintura, que tinta usou, etc, não é nenhum demérito, é apenas vontade de aprender.

 

9. Que fontes de informações que você usa quando vai iniciar um modelo?

Via de regra são plantas, fotos, artigos, revistas e Internet.

 

10. Que tipo de tintas você usa?

Tintas Gunze tampas alta e baixa, tintas Pterocolors e algumas automotivas que são feitas pelo “químicos” do GPPSD.

 

11. E que tipo de cola?

A cola líquida dos protéticos (o “Jet”) e a Super Bonder

 

12. Você teria um projeto ou um sonho ligado ao plastimodelismo que ainda não conseguiu realizar? Qual seria?

Fazer com que o plastimodelismo seja apenas e tão somente um hobby e cultura,não sendo trampolim para enaltecer egos e criar polemica entre modelistas mais radicais. Somos poucos em relação a praticantes de outros hobbies, portanto, temos o dever de sermos unidos e prestigiar os novos adeptos do plastimodelismo! Nos últimos 5 anos caminhamos muito e vários tabus absurdos caíram,mas ainda é muito pouco,temos de fazer mais.

 

13. O que gostaria de ver em forma de kit (ou montado)?

Sem dúvida ,um belo Gloster Meteor F-8 da Trumpeter na escala 1/32!

 

14. Qual foi seu maior sucesso (ou sua maior vitória) no plastimodelismo? Algo que tenha sido uma conquista, algo difícil de se conseguir, ou que lhe deu o maior prazer.

Foi recuperar a sucata de um Curtiss P-40 escala 1/32 da Revell nacional dos anos 60.O bichinho tava todo quebrado,faltando algumas peças...dava dó,um aperto no coração só de olhar!Com muita paciência fui juntando os caquinhos,refazendo com plasticard as pecinhas que estavam faltando,rebaixando os relevos,gastando tubos de Bonder e massa plástica e,de Frankestein virou um Leonardo Di Caprio!Fiquei contente com o resultado obtido,já que a sucata estava em péssimo estado.

 

15. Qual sua maior “trapalhada”?

Sede do GPPSD, sábado a tarde. O Venerável Marcelo Guerra fazendo para vários associados e neófitos os segredos da mistura de tintas automotivas, amarela e preta para conseguir o tom exato da cor “interior green” Eu,como sempre,estava zanzando, não tinha nada a ver com o peixe, era aula do “homem” e todos estavam prestando muita atenção.

 - Agora que o tom está correto, vou adicionar thinner ,um pouco de retardador e misturar tudo.
           
Não sei porque cargas d’água, peguei um vidro de 100 ml que estava perto de mim sobre a mesa e falei:

- Marcelo, deixa que eu faço a mistura!
            
Enchi o vidro pela metade e comecei a sacudir com vigor.Até hoje não sei ao certo o que houve,acho que não fechei totalmente a tampa. Dentre os presentes, pelo menos 4 colegas foram “batizados”, sendo que o mais atingido foi justamente o coitado do Marcelo! Foi uma situação constrangedora. A primeira idéia que me ocorreu foi pegar um pano, jogar thinner e tentar limpar a roupa do “chefe” (o Marcelo Guerra). A esfregação de pano na roupa do atingido não resolveu, pelo contrário! E os outros atingidos não abriam a boca, só olhavam. Como não estava adiantando nada,pedi:

- Marcelo, ire a camisa!
- Não tiro, pô! Respondeu polidamente o cavalheiro.
- Já que você está emburradinho, deixa que eu cuido do meu jeito!

Peguei a bisnaga com thinner e joguei nas áreas atingidas pela tinta e fui passando o pano. E o Marcelo só me olhando, bem sério! Depois de alguns segundos ele me encarou  bem fixo e disse:

- Você tá doido! Cara, olha só o que você está aprontando!

Só então percebi que eu estava fumando! Cigarrão aceso, minhas mãos e a camisa do Guerra empapadas de thinner, e os outros salpicados não abriam a boca, só olhavam!
 Para não ser processado recuso-me, terminantemente, a revelar o desfecho deste “imbróglio”. Sou estou vivo porque sou grande, tenho cara de mau, torço para o Santos F.C e não me separo de meu Colt AR 15, a quem chamo carinhosamente de “Marilou”.
Bem, brincadeiras à parte,foi muito embaraçoso. Espero que vocês não espalhem, afinal, não fica bem que um respeitável senhor como eu, tenha esta mácula em sua pífia carreira de plastimodelista.

 

16. Qual a maior dificuldade ou o modelo mais difícil que você já enfrentou?

Sem sombra de dúvida foi um LA-176,de uma firma do Leste Europeu chamada “Bana”.O Kit possuía altíssimo relevo, peça transparente bem leitosa, trens de pouso que pareciam “sprue” e o melhor;o lado esquerdo da metade da fuselagem era um pouco mais comprida que a direita! Uma verdadeira festa no hospício! Mesmo assim, montei o pequeno canalha e olha, ficou até que bonitinho!

 

17. Você teria alguma técnica ou material que você acha que lhe ajuda muito na montagem de um modelo?

Já que adoro montar modelos que muitos consideram “tralhas”, tais como sucatas e kits da Frog, Novo, Hawk, Airfix e afins, não sento para montar sem os seguintes apetrechos:
a) Oração de São Joaquim dos Aflitos(Padroeiro dos plastimodelistas).
b) “Scriber” da Tamiya e uma régua.
c) Lixa de vários tipos.
d) Super Bonder, Jet e fita crepe.
e) Broquinhas de relojoeiro. O resto é inspiração e vontade de montar o modelo.

 

18. O que (ou que etapa) de um modelo você mais gosta de fazer, e por quê?

Acho relaxante baixar os relevos (linhas de painéis) e fazer os rebites do modelo.Como ainda não cheguei ao ponto de cumprimentar manequim em porta de loja ou a chamar urubu de meu louro, é evidente que não dispenso um bom modelo da Tamiya, Trumpeter ou da Accurate, que não requerem muito esforço.

 

19. O que (ou que etapa) de um modelo você menos gosta de fazer, e por quê?

Mascarar as partes transparentes! Já pensou, colocar fita da Tamiya nas partes envidraçadas de um P-61 Black Widow ou em um TBM Avenger na escala 1/72! Nem quero lembrar o hidroavião “Emily na escala 1/144. Mas já passei por estas experiências e estou vivo e andando!

 

20. Você teria alguma dica para os modelistas iniciantes ou veteranos?

Montar por puro prazer! Não é montar pensando em competir e sim, curtir o modelo e as etapas de trabalho. Se cansou, pare! Vá ler um livro ou material de pesquisa do kit. Vá dar uma volta com o cachorro (ou gato, guana, preá ou sogra), não se estresse! Se houver dificuldades na montagem, lixamento ou pintura, procure um amigo que saiba mais que você ou um clube de modelismo para tirar as suas dúvidas. Nada como aprender na prática, com pessoas mais experientes e que estão dispostas a repartir o conhecimento adquirido. Não se preocupe se o seu modelo não ficou igual ao da revista ou aquele que você viu na mesa de Convenção. Só a prática reiterada de montagem e pintura irão melhorar o seu nível de trabalho.

 

21.  Há alguma estória curiosa, relacionada ao plasti, que você gostaria de contar?

Depois do que relatei sobre o “banho de tinta”, só conto mais algum “causo” sob tortura!

Tem aquela do português que montou um Me 262 A da Trimaster na escala 1/48, com insígnias da F.A.B. Ele jurava que tinha fotos do avião de verdade,na Base Aérea de Fortaleza...


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