História

 

            Para atender a um requisito da Força Aérea Americana (USAF) para o programa de Caça Tático Avançado (ATF), a Mcdonnel Douglas em parceria com a Hughes desenvolveu o F-15E Strike Eagle.  O F-15E foi projetado a partir do F-15B, retendo os 2 assentos, para missões de interdição a longas distâncias, em qualquer condição de tempo, dia ou noite a ainda podendo realizar missões ar-ar com completa capacidade. O protótipo do F-15E foi convertido do segundo F-15B e voou pela primeira vez em Agosto de 1981, entrando em seguida numa competição com o F-16XL, competição da qual se sagrou vencedor em 1984. O desenvolvimento se seguiu imediatamente e o primeiro F-15E de produção voou em Dezembro de 1986 com as primeiras unidades entrando em serviço na Base Aérea de Luke, no Arizona, em Agosto de 1987. As características marcantes do F-15E em relação às versões anteriores são: controles reprojetados, telas multi-função para monitoramento da navegação e dos sistemas de armas, um visor de cabeça erguida (HUD – Heads Up Display) de grande ângulo, radar AN/APG-70 de abertura sintética e a habilidade de carregar o sistema LANTIRN com instrumentação de navegação e pontaria contendo um FLIR (Infra Vermelho com Foco Frontal) e um radar de varredura do terreno.

 

O Kit

 

            O kit da Academy possui 170 peças suficientes para montar uma aeronave completa. As peças possuem baixo relevo e são relativamente bem moldadas, porém por se tratar de um kit antigo, não está à altura dos kits que a Academy vem lançando hoje em dia. Das opções do kit temos: tomada de ar em posição normal ou de decolagem, armamentos diversos que incluem AIM-7 Sparrows, AIM-9 Sidewinders, bombas Mk 82 de 227Kg e CBU-87 de saturação, casulos SUU-20 dispensadores de bombas de treinamento, além de um tanque de combustível auxiliar, dois FAST packs e os dois pods do sistema LANTIRN. Suportes para os FAST packs e lançadores múltiplos de 3 e 6 posições também estão inclusos.

 

Montagem

 

            A montagem do kit inicia-se pelo cockpit, e já começa mal. O cockpit é esparsamente detalhado, contendo assentos ejetores básicos, alavancas de controle de vôo e decalques para os painéis frontais e laterais. Para melhorar o detalhamento nestas áreas, utilizei um set de photoetch da Eduard para o F-15E da Hasegawa. O set é bastante completo (tão completo que não usei nem 1/3 das peças), porém como foi projetado para o kit da Hasegawa, não possui os consoles laterais, somente os painéis frontais dianteiro e traseiro. O kit também não tem os consoles das manetes de potência, portanto todos estes itens que estavam faltando foram feitos com placas de estireno e peças da minha caixa de sobressalentes (nessas horas que se descobre como é bom guardar todas as peças remanescentes dos kits).

            Para melhorar ainda mais aparência do cockpit, instalei assentos ejetores de resina da True Details. Esses assentos são muito bem detalhados e possuem complementos de photoetch como alavancas de ejeção, quebradores de carlinga, sensores de ar de impacto, etc. Com todos estes acessórios, bastava apenas um bom trabalho de pintura para deixar o cockpit bastante realista. A disposição das peças no kit da Academy, diferentemente dos kits do F-15 da Hasegawa, tem a divisão da parte frontal na linha horizontal e não vertical, e a parte inferior está na mesma peça do restante inferior do corpo da aeronave. Desse modo, após montar o cockpit, deixei-o de lado e prossegui com a montagem dos componentes principais da fuselagem e encontrei logo outro ponto a ser trabalhado.

            Olhando para dentro da entrada de ar, antes do fan do motor, pode se ver a caixa do trem de pouso na parte inferior. Para esconder essa parte, apliquei um pedaço de estireno por sobre a mesma de modo a refazer o duto de entrada de ar. Este processo apesar de simples, gastou bastante tempo, pois tive de cortar a peça de estireno na forma correta e ainda assim fechar algumas frestas usando um pouco de massa putty. Após esta etapa, adicionei os bocais da entrada de ar. Existem duas opções: posição de decolagem (bocal virado para baixo) e normal. Optei pela segunda.

            O passo seguinte foi adicionar as asas. As asas contêm três peças: seções inferiores, esquerda e direita, e seção superior única. Adicionei primeiramente as seções inferiores à parte superior da asa de modo a trabalhar as frestas antes da colagem final. Concluído isso, prossegui a colar a asa com a fuselagem. Tomei bastante cuidado no alinhamento, uma vez que a peça é grande o suficiente para fazer o kit ficar todo torto se não bem executado. As frestas surgiram nas extremidades: na frontal próximo à entrada de ar e na parte traseira junto à posição dos estabilizadores horizontais. Nada que um pouco de Super Bonder não resolva em 5 minutos (normalmente uso Super Bonder para fechar frestas pequenas, pois ela seca rápido e posso lixar em questão de 2 minutos. O problema é que se você aplica e esquece de lixar, como foi o caso certas vezes, ela fica dura como pedra em 5 minutos).

            Na seqüência, adicionei os estabilizadores verticais e horizontais sem muitas surpresas. Apenas umas frestas aqui e ali fechadas em pouco tempo. Em seguida adicionei os FAST packs. Antigamente este componente era opcional nos F-15, mas hoje se tornou permanente, uma vez que melhora o desempenho aerodinâmico e reduz o consumo de combustível. Essa parte trouxe um certo desafio por ser um equipamento adicionado após a fabricação do avião. A área de contato da peça com a fuselagem é feita de um material vedante, similar a uma borracha. É preciso cuidado para colar a peça, pois ela contém uma borda que simula este material e que pode ser facilmente danificada se exagerar na quantidade de cola utilizada. Uma vez em posição, um pouco de massa putty foi necessária nas junções inferiores das duas peças (direita e esquerda) próximo ao compartimento do trem de pouso.

            Neste ponto, faltam apenas o cockpit e o radome para completar a montagem básica. O kit já começa a ficar com cara de um avião mesmo. Ao adicionar o cockpit, deixei de fora os assentos e controles, uma vez que seria possível instalar os mesmos após o término da pintura. Com o radome em posição, estava completa a montagem.

  

Pintura

 

            A pintura começa com uma camada de primer. Eu uso o Mr. Surfacer 1000 da Gunze Sangyo para esta tarefa. Ele pode ser aplicado bem diluído ou mais consistente dependendo do nível de detalhe do kit: muito diluído para um kit sem detalhes demora a cobrir completamente ao passo que pouca diluição em um kit com detalhes finos pode acabar por escondê-los. Eu já deixo o meu diluído em um reservatório à parte para facilitar o trabalho. Após o primer secar, é possível evidenciar com mais clareza os pontos que devem ser retrabalhados para esconder as emendas. Feito isso, apliquei novamente primer nos lugares que foram retrabalhados para checar o resultado. Uma vez satisfeito, parti para a pintura propriamente dita.

            Para aqueles que acham que um kit camuflado é mais difícil que um kit de uma única cor, aí vai a dica: quanto mais cores melhor. Eu acho mais simples pintar uma camuflagem, pois você tem onde segurar o kit para começo de conversa. Depois, a uniformidade da cor não é de tão grande importância. Num kit de uma cor só, a não ser para simular um desgaste ou ação do tempo, a uniformidade é relevante. Mas isso é só minha opinião.

            A cor para este F-15 é o Cinza Gunship FS36118. Misturei tintas automotivas para obter esta cor. Apliquei a cor no kit em camadas finas, cobrindo lentamente a superfície para não esconder os detalhes (o baixo relevo do kit em alguns pontos é bem leve). Como a tinta automotiva já seca brilhante, não precisei aplicar verniz para colocar os decalques. As partes que não são em cinza (caixa do trem de pouso, escapes dos motores e cobertura das partes quentes na fuselagem) foram pintadas após a aplicação do verniz fosco final.

            Após a secagem completa do cinza (deixei 2 dias inteiros antes de manusear novamente) apliquei um wash (alguns conhecem como liquitex) com tinta preta bem diluída para realçar os detalhes em baixo relevo do kit. Apesar de não fazer muito efeito sobre o cinza brilhante, após a aplicação do verniz fosco ele realmente vem à tona.

 

Decalques

 

            Os decalques (os milhares deles) do kit representam uma aeronave do 406º Esquadrão de Treinamento de Caças Táticos baseado em Lakenheath na Inglaterra com esquema de alta ou baixa visibilidade. A quantidade de decalques é tão grande que mesmo dividindo pela metade (para um avião) ainda são muitos. Eu resolvi não usar boa parte deles, pois são muito pequenos e não fariam diferença no resultado final. Apliquei os decalques usando o Mr. Mark Softer da Gunze. Não houve problema na aplicação sobre a tinta automotiva tanto de aderência como acabamento (silvering: decalque esbranquiçado).  Esperei cerca de 24 horas antes de aplicar o verniz fosco final.

 

Detalhes Finais

           

            Com o verniz fosco seco (48 horas para cura completa) finalizei a montagem do kit adicionando o trem de pouso, carlinga, e armamentos. Escolhi uma opção de ataque semelhante à utilizada pela Força Aérea Americana (USAF) na guerra do Kosovo. Um par de mísseis AIM-9L Sidewinder nos pilones sob as asas e um par de mísseis AIM-120 AMRAAM no suporte sob os FAST Packs (hoje em dia são chamados de CFT – Conformal Fuel Tanks) como armamento defensivo. Para o armamento ofensivo, temos duas bombas guiadas por laser GBU-15 Paveway II, de 907Kg cada nos suportes frontais dos CFT´s. Instalei também os pods do sistema de navegação LANTIRN: o designador laser do lado direito e o infravermelho à esquerda.

            

Conclusão

 

            Ao final do kit, sinto que tive muito mais trabalho que imaginei. Realmente este kit da Academy não está à altura dos mais atuais. Porém, o nível de detalhe e acabamento ainda permite a montagem de uma miniatura muito realista. Recomendaria este kit apenas para aqueles que tem média experiência. O kit do F-15 da Hasegawa, apesar de mais caro, é melhor que este tanto no nível de detalhe quanto no layout das peças.

 

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