Introdução

 

A concepção de um sucessor para o tanque médio M3 Lee e de sua versão modificada, o M3 Grant, teve início em fevereiro de 1941 quando já era claro para o governo dos Estados Unidos que o país seria tragado pela guerra. Em setembro do mesmo ano, o primeiro protótipo (T-6) daquilo que viria a ser o M4 já estava pronto.
O T-6 utilizaria essencialmente o chassi do M3. Sua superestrutura (casco) foi modificada a fim de permitir o uso de uma torre convencional, armada com um canhão de 75mm de duplo propósito. Segundo as especificações do Exército norte-americano, se fazia necessário uma arma capaz de disparar tanto um projétil alto-explosivo quanto um perfurador de blindagem.


O protótipo T-6 sofreu inúmeras modificações, e o primeiro M4A1 produzido emergiu da fábrica Lima Locomotive Works, em Ohio, em fevereiro de 1942, dois meses após a entrada dos Estados Unidos na guerra. Embora o M4A1 fosse o segundo modelo a ser padronizado - o primeiro seria o M4 - este modelo foi a primeira variante a entrar em produção.
A produção, do então oficialmente denominado "Tanque Médio M4", cresceu em 100% em função da demanda causada pela Operação Barbarossa, o ataque alemão à União Soviética no verão de 1941. Mais de 50 mil veículos, dentre os mais variados modelos de M4, foram produzidos entre 1942 e 1946, com muitas modificações feitas durante a produção, em empresas como a Ford, Fisher, Federal Machine & Welder e a Pacific Car & Foundry.


O batismo de fogo do M4 se deu em 24 de outubro de 1942 durante a Batalha de El Alamein junto às tropas blindadas britânicas. O layout, mais moderno em relação ao M3 Grant e Lee e o poder de fogo superior aos seus contemporâneos, imediatamente, tornaram o M4 muito popular entre os seus primeiros usuários. A propósito, foram os britânicos que, em homenagem ao famoso general norte-americano da Guerra Civil, adotaram o nome "Sherman" para o M4. Nome que raramente foi utilizado pelo Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.


Comparado aos seus equivalentes alemães e soviéticos, o M4 era relativamente menos blindado e armado, mas graças a sua alta velocidade, fácil manutenção, confiabilidade e grande número, o veículo se tornou o blindado aliado mais importante na Segunda Guerra Mundial. A chave para a controvérsia de quanto o M4 era "bom" pode ser encontrada na doutrina oficial do Exército norte-americano em relação aos blindados durante a Segunda Guerra Mundial. Essencialmente o M4 deveria ser usado como veículo de apoio em ataques de infantaria nas operações ofensivas e servir como artilharia contra pontos fortes de resistência inimiga. Não era sua função enfrentar ou destruir os tanques inimigos. Tais missões deveriam ser executadas pelos destruidores de tanques, como os M3 75mm, M10, M18 e M36, apenas para citarmos os mais conhecidos.

 

O modelo em revista:

 

 

 

Em 1995, após um longo período de espera por parte da comunidade modelista e após o relativo sucesso dos modelos da Dragon, lançados pouco tempo antes, a Tamiya lançou seu modelo do M4, o kit 35190 US Medium Tank M4 Sherman.
À época, o modelo não constituiu uma novidade total, pois, foi baseado no modelo de 1987, o M4A3 (kit 35122), do qual a empresa fez uso das grades "A" e "B" e do casco inferior.


O kit, no entanto, inclui duas novas grades que carregam consigo alguns detalhes internos do canhão; um rádio para a torre; protetores dos periscópios, que podem permanecer tanto abertos quanto fechados; uma nova cobertura de três peças para a transmissão; um novo par de rodas motrizes; novas rodas detalhadas de ambos os lados; portas traseiras de acesso ao motor; uma nova e melhor trabalhada cúpula para o comandante do tanque; três novas figuras substancialmente melhores que as do modelo anterior; vários acessórios (bolsas, capacetes, latas de óleo, galões de combustível/água, rodas e esteiras sobressalentes e uma nova caixa de munições para uma metralhadora .50).


Um novo casco superior reproduz adequadamente a textura do tanque original. Como o modelo traz as marcas de solda do casco em baixo relevo, para um melhor efeito do modelo depois de pronto, o modelista deve reproduzir essas mesmas marcas em alto relevo. O deck do motor é muito bem feito e pode permanecer aberto ou fechado. Infelizmente, a Tamiya não reproduziu o motor do tanque (o radial Wrigth R-975-C1 de nove cilindros à gasolina) e nem o seu compartimento que, todavia, podem ser adquiridos no after-market.


A torre é típica dos modelos iniciais que dispunham do sistema de armazenamento de munição do tipo "seco". Modelos posteriores de torres dispunham de um sistema de armazenamento da munição do tipo "molhado", onde as cavidades de armazenamento das mesmas eram envoltas em água a fim reduzir os riscos de explosão se o tanque fosse atingido. O mantelete é do tipo M3A1 que fornecia proteção para a metralhadora coaxial. O kit inclui também pára-lamas moldados separadamente em três partes: dianteira, intermediária e traseira. Este acessório não era muito comumente visto em um tanque em ação, pois logo era perdido em batalha ou era retirado pela tripulação, uma vez que um eventual acúmulo de lama e detritos poderia comprometer a mobilidade do veículo.


Quando os cascos - inferior e superior - são fixados conjuntamente permanece entre eles um espaço, que deve ser fechado com um pequeno molde de estireno.


 

 

As esteiras são uma boa representação do modelo T48, Rubber Chevron, e foram moldadas em composto de borracha permite ao modelista colar suas extremidades, ao contrário das que acompanham o modelo M4A3 supracitado, que deveriam ter suas extremidades grampeadas.


Os decais representam três veículos usados pelos norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial: um M4 da Companhia C, do 756o Batalhão de Tanques, na Itália; outro, da Companhia H, do 66o Regimento Blindado da 2a Divisão Blindada, na Normandia; e um terceiro da Companhia B, de uma unidade desconhecida, também em combate na França. Os dois primeiros veículos são retratados em algumas publicações especializadas sobre o tanque. No entanto, contando sempre com a devida pesquisa, qualquer outro veículo pode ser reproduzido, já que os norte-americanos utilizaram, em grande número, este modelo específico de M4, nos teatros em que operaram: Itália, Noroeste da Europa e Pacífico. O modelo serve também como base para outras versões e/ou conversões.
Por fim, o modelo em questão é descrito erroneamente pela Tamiya como um M4 de "início de produção", uma vez que carece de algumas características distintivas desta versão, notadamente no que se refere à suspensão. Esta possui os braços de suporte das rodas de retorno inclinados para cima. Para caracterizar um modelo inicial, a suspensão deveria possuir esses mesmos braços posicionados paralelamente ao resto do sistema de suspensão.


Na verdade, o modelo corresponde mais exatamente à uma versão remanufaturada do M4, isto é, um M4 de início de produção que sofreu modificações e/ou adaptações em instalações fabris nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, em vista da campanha européia. Além de melhoramentos técnicos e mecânicos, os tanques recebiam manteletes do tipo M3A1, reforço blindado nas laterais do casco, na torre e nas partes frontais das escotilhas do motorista e do operador de rádio. Podiam, eventualmente, também ter suas suspensões antigas ou danificadas trocadas por modelos mais novos ou intactos.

Aparte, as críticas acima, este modelo é de fácil montagem, não exigindo muita experiência por parte do modelista. Depois de pronto você terá em sua coleção uma das peças mais importantes e obrigatórias do arsenal aliado.

 

Fontes:

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MILITARY MINIATURES IN REVIEW SPECIAL. Modeler’s Guide to the Sherman. Ampersand Publishing Company, Inc, 2000.


SANDERS, John. The Sherman Tank in British Service 1942-45. Osprey Publishing, 2001.


ZALOGA, Steve. US Tank Destroyers in Combat 1941-45. Concord Publications Company, 1996. The Sherman at War. The European Theatre 1942-1945. Concord Publications Company, 1994.The Sherman at War (2). The US Army in the European Theater 1943-1945. Concord Publications Company, 2000.


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