Por Fabrício Menardi
Introdução
Durante a Segunda Guerra, os Marines norte-americanos usaram em batalha os mais variados tipos de tanques, como os veículos leves M2A4, M3, M3A1 e M5A1. Porém, o seu principal tanque no conflito foi o M4.
O M4 esteve presente em todas as grandes batalhas nas quais os Marines se envolveram, à exceção de Guadalcanal, da Nova Geórgia e de Bouganville, onde os fuzileiros navais utilizaram os tanques leves M3.
Porém, antes de iniciarmos nossa descrição, é importante que se faça a seguinte observação: o Exército Britânico, em homenagem ao general confederado da Guerra Civil Americana, apelidou os tanques leves M3 e M5 de “General Stuart”, assim como fez com os tanques médios da família M3, “General Lee” e “General Grant”. O termo “General Sherman” foi mais tarde aplicado à série de tanques médios M4. As tropas americanas evitavam usar este termo e muitos veteranos ainda o fazem. Todavia, o termo será usado aqui por causa de sua familiaridade junto aos leitores modernos.
1 – Tarawa
A primeira ação envolvendo o Sherman se deu por ocasião dos desembarques em Tarawa, nas Ilhas Gilbert, em novembro de 1943.
O assalto à ilha foi apoiado por 12 Shermans da Companhia C do Batalhão de Tanques do I Corpo Anfíbio dos Marines. Os M3A1 das Companhias B e C do 2º Batalhão de Tanques também se envolveriam nos desembarques.
No quadro abaixo, podemos ver a composição da Companhia C.
O modelo empregado foi o M4A2 mid-production, armado com uma torre dry stowage de 75mm e movido por um motor a diesel. A Companhia C foi uma das poucas unidades a usar as metralhadoras .50 em seus tanques. Os Marines preferiam as metralhadoras .30 que eram mais fáceis de usar pois eram menores e mais leves que a .50.
Os tanques em Tarawa eram pintados de verde-oliva. As únicas marcações eram o nome do veículo, que sempre era começado pela letra “c” e era pintado de amarelo e o símbolo da unidade, um elefante (cinza claro com presas em branco) esguichando um jato d’água (também em branco) pela tromba. O animal era coberto por um manto vermelho com bordas e detalhes (símbolo dos Marines) em amarelo.
Nas traseiras desses veículos foram soldadas armações metálicas (racks) que serviam para carregar recipientes de combustível, como podemos ver no Charlie, que foi posto fora de combate pelas armas antitanques japonesas:
Outra vítima da batalha, O Cannonball:
O Condor:
2 – Nova Bretanha
O ataque seguinte dos Marines envolvendo Shermans aconteceu nas áreas pantanosas da região do Cabo Gloucester e Talasea (na ilha da Nova Bretanha) e na Nova Guiné, em dezembro de 1943.
Nestas ilhas, a 1ª Divisão utilizou 24 M4A1. Este modelo era movido por um motor radial à gasolina. Todos esses veículos foram alocados na Companhia A do 1º Batalhão de Tanques. As companhias de tanques B e C do batalhão receberam alguns M5A1 para a batalha, fato que marcou a primeira ação em batalha do veículo junto aos Marines.
Os M4A1 eram pintados de verde-oliva e camuflados de preto. Suas marcações táticas envolviam a simples reprodução do número do veículo nas extremidades laterais da torre e na parte traseira do veículo, em uma das portas de acesso ao motor. Na outra porta, pintava-se a letra “A”, que indicava a unidade, ou seja, a Companhia A. Tudo isso na cor branca.
O 3 a caminho da ação:
O 8 no desempenho da função para qual os M4 foram criados, o apoio à infantaria em ataques contra posições inimigas:
As condições da luta na Nova Bretanha:
3 – Ilhas Marshalls
Em fevereiro de 1944, os Marines atacaram as Ilhas Marshalls. No primeiro dia daquele mês, o 4º Batalhão de Tanques, em apoio ao ataque da infantaria dos Marines, desembarcou em Roi-Namur com M4A2 mid-production. Os M5A1 das outras companhias do 4º Batalhão também estiveram presentes na batalha. Dias mais tarde, a 2ª Companhia Separada de Tanques entrou em ação usando também os M4A2 mid-production.
A novidade na aparência dos Shermans usados nas operações nas Ilhas Marshalls estava por conta da introdução de duas inovações: (1) a instalação de placas de madeira na lateral dos tanques (a madeira era parafusada em armações de metal que foram soldadas nos tanques) visando à proteção contra as minas magnéticas japonesas do Tipo 99 Hakubakurai. Tais armas eram eficazes apenas contra os tanques leves americanos. Contudo, a proteção de madeira não se mostrou sem razão de ser, uma vez que, proporcionava proteção contra as armas antitanque japonesas. (2) a introdução dos wading trunks ou wading stacks, dispositivo que permitia ao Sherman enfrentar um desembarque marítimo sem ser invadido pela água.
Os Shermans do 4º Batalhão eram pintados de verde-oliva e poderiam receber nomes começados com as letras “j” (Jezebel, Jenny Lee, Joker, Juarez) e “k” (Kapu, Kickapoo, Killer), pintados de branco. O Knave 2 em Namur:
Alguns tanques do 4º Batalhão tinham números inscritos nas laterais da torre:
Nem todos os veículos da 2ª Companhia recebiam nomes (e quando recebiam, eram pintados nas laterais da torre, acima da marcação tática) ou apresentavam as proteções laterais de madeira. Eram comumente pintados de verde-oliva e de uma segunda cor, a areia. As marcações táticas constituíam-se de figuras geométricas como círculos e triângulos dentro das quais se inscrevia o número do veículo. Esses símbolos eram aplicados nas laterais da torre e do casco do veículo, como também na parte posterior do wading trunk. Tanto os nomes dos veículos quanto as marcações táticas eram da cor branca.
Os Shermans envolvidos nas três operações acima citadas usaram dois tipos de esteira de metal, o T49 (Straight steel tread) e o T54E1 (Chevron steel tread), modelo mais comum. Note-se também que até aqui nenhum M4A2 utilizado pelos Marines tinha o reforço blindado (placas de metal) na lateral do casco. Foi somente nas batalhas posteriores que essa proteção extra apareceu.
Na segunda parte desse artigo, daremos prosseguimento a esta breve história do Sherman em serviço dos Marines durante a Segunda Guerra.
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