1 – Iwo Jima
Iwo Jima foi a maior batalha travada pelos Marines durante a Segunda Guerra que participaram três divisões e seus respectivos batalhões de tanques. Duas delas desembarcaram no dia 19 de março de 1945, o Dia-D: a veterana 4ª Divisão e a debutante (embora alguns de seus soldados fossem veteranos de batalhas anteriores), 5ª Divisão. A 3ª Divisão desembarcou dias mais tarde.
As duas primeiras divisões estavam equipadas com um novo modelo de Sherman, o M4A3 que tinha um motor Ford à gasolina. Outra novidade foi a introdução de um modelo lança-chamas mais eficiente que o E4-5, o POA-CWS-H1. H-1 designava o veículo sobre qual o POA-CWS seria montado, um M4 VVSS. O POA-CWS, um lança-chamas de longa distância, ocuparia o lugar do canhão principal do tanque. Esta conversão foi levada a cabo pelo Serviço de Guerra Química do Exército, no Havaí.
Os tanques do 4º Batalhão usavam o sistema de proteção extra usado pela primeira vez em Saipan: cimento e madeira como proteção de suas laterais. Além disso, as tripulações usavam sacos de areia para proteger de tiros de morteiro a superfície superior do casco o tanque, que tinha uma blindagem muito fina. O batalhão também protegia de explosivos as escotilhas e os protetores dos periscópios de seus Shermans com gaiolas de arame. Note-se que nem todos os veículos usavam tais dispositivos. Havia uma variedade de combinações dessas proteções entre os veículos do 4º Batalhão.
Calcutta, um M4A3 da Companhia C, tem um galão de água acoplado à sua traseira, coisa exclusiva desta companhia. Note-se a caixa do telefone que era usado na comunicação tanque/infantaria e o relógio desenhado no wading trunk. Esse servia para identificar a direção dos alvos. O tanque era pintado de verde-oliva; seu nome e outras marcações, em branco:
O Bed Bug, da Companhia B, apresentava duas cores, o verde-oliva e areia. Além do nome, o veículo apresenta o código de embarcação e número 20 e a letra “a” pintados nas esteiras que serviam de proteção da torre.
O Code, um lança-chamas, em ação. O tanque era todo verde-oliva e suas marcações estão em amarelo:
Comet e Code:
Um M4A3 do 5º Batalhão, que apresenta as três cores usadas pelos Marines em seus muitos de seus tanques, o verde-oliva, o areia e o terra. Alguns veículos tinham nome, outros, não. O blindado apresenta como marcação tática um quadrado com o número dentro 52. Esta marcação costumava aparecer também nas laterais do casco O mantelete ainda se encontra com a lona de proteção usada durante os desembarques. Como proteção das escotilhas e dos protetores dos periscópios, esta unidade usava pregos, ao invés de gaiolas de arame. Ao contrário do 4º Batalhão, o 5º não adicionava concreto entre a lateral do casco e as placas de madeira:
Diferentemente dos outros Shermans de sua unidade, o Nitemare II tinha uma armação de metal e tela (ao invés de pregos) como proteção das escotilhas do casco. É interessante notar que as inscrições a giz que o tanque apresenta e que foram feitas após o veículo ter sido posto fora de combate, apenas para propósitos fotográficos. Como sua tripulação saberia, a priori, que o veículo lutaria na Ponta Kitano, um dos últimos baluartes japoneses na ilha?
As marcações do 3o Batalhão nunca foram muito padronizadas (vide Parte 3). Abaixo, podemos ver duas fotos do Apache enquanto era carregado com munição. Diferentemente de outros tanques de seu batalhão, ele não apresentava a estrela alada e o seu número reproduzido na proteção do mantelete. Destaca-se a placa blindada dianteira um pouco maior do que o padrão normal:
Ao contrário das duas outras unidades na ilha, o 3º Batalhão não utilizou nenhum POA-CWS-H1, mas recebeu tankdozers dos mais modernos. A unidade também não apresentou nenhum dos dispositivos de proteção extra (sacos de areia, esteiras, placas de madeira, concreto, gaiolas de arame ou pregos) utilizados pelas duas outras unidades na ilha.
2 – Okinawa
A última batalha travada pelos Marines foi a de Okinawa. A ilha era tida como o ponto de apoio para a invasão do Japão. Os desembarques em 1º de abril de 1945 contariam com duas unidades blindadas, o 1º e 6º Batalhões de Tanques, pertencentes às 1ª e 6ª Divisões de Marines, respectivamente.
Desta feita, os Marines não teriam POA-CWS-H1. Os lança-chamas em ação na ilha seriam dos batalhões do Exército. A novidade estaria por conta do uso de Shermans modificados por um dispositivo de flutuação, o T-6 Flotation Device, um dispositivo que permitia ao Sherman disparar seu canhão enquanto navegava.
O T-6 constituía-se de seis grandes flutuadores de metal acoplados ao Sherman. Estes flutuadores eram alijáveis, quando o veículo se encontrasse em terra firme. Sua velocidade na água era a metade da velocidade dos LVT, cerca de 3 km/h. Porém, o maior problema do T-6 era seu tamanho, que impunha sérios problemas de transporte. Sua navegabilidade era boa, mas sua mobilidade tática se revelou absurda: os veículos usados nos desembarques em Okinawa levaram mais de cinco horas para vencerem os recifes de corais.
Abaixo podemos ver um M4A2 do 1º Batalhão de Tanques. Como muitos Shermans na unidade, o veículo apresentava como única cor o verde-oliva. Estranhamente, só os wading trunks recebiam camuflagem (areia e terra). Foi improvisado como proteção extra da lateral do tanque, malhas de aço de decks de navios. As escotilhas do casco eram protegidas com seções de grades de ferro utilizadas em pistas de pouso de aviões. No conjunto da suspensão era fixada uma barra de metal para a proteção do mesmo:
Outros Shermans do 1º Batalhão. A tripulação do B8 batizou o canhão do veículo de Old Faithful. A segunda foto mostra que alguns Shermans não tinham as laterais de seu casco protegidas por esteiras. Estes possuem marcações típicas dos veículos do batalhão em Peleliu (vide Parte 3):
A Companhia A do 2º Batalhão (2ª Divisão de Marines) substituiu o desgastado 1º Batalhão de Tanques nos estágios finais da campanha. A unidade estava equipada com M4A2 late production, pintados somente de verde-oliva. Esses M4A2 tinham torres cuja escotilha do comandante era do modelo final, com visores e uma só portinhola. Enfim, apresentavam com uma configuração muito similar aos tanques do 1º Batalhão.
A única unidade com M4A3 em Okinawa era o 6º Batalhão de Tanques, que usou veículos do early e late-productions. O early-production era dry stowage, e curiosamente foram introduzidos depois do late, no início de 1945 e tinham escotilhas frontais pequenas. As esteiras com e sem duckbills eram dos modelos mais variados, predominando os seguintes: T54E1, T49 e T48.
Abaixo podemos ver um M4A3 com suas proteções de esteiras. Os tanques do 6º Batalhão podiam ter uma cor única, o verde-oliva, como possuir a combinação das três cores utilizadas pelos Marines: oliva, areia e terra. As marcações táticas constituíam-se de símbolos geométricos (pelotões) com números dentro (número do veículo dentro do pelotão). Triângulos, quadrados, losângulos e círculos eram pintados nas laterais da torre e do casco e nas partes posteriores do wading trunks e da torre:
Estes M4A3 early production do 4º Pelotão (Companhia C) carregam toras de madeira como proteção de seu glacis frontal e na suspensão algumas tiras de madeira:
Proteção “a ferro e fogo” de um M4A3 early:
Na procura de uma expressão para sintetizar o significado e a importância dos Shermans para as batalhas travadas pelos Marines durante a Segunda Guerra encontrei na fala do Comandante do 32º Exército Japonês em Okinawa, o Tenente-General Mitsuru Ushijima, uma definição bastante precisa:
“O poder do inimigo se baseou em seus tanques. Tornou-se óbvio que a batalha contra as forças americanas era a batalha contra seus tanques M4.”
3 - Bibliografia utilizada:
Culver, Bruce, “Sherman in Action”. Squadron/Signal Publications, Inc., 1977.
Estes, Kenneth W., “US Marine Corps Tank Crewman 1941-45 - Pacific”. Osprey Publishing Ltd., 2005.
Gilbert, Oscar E., Marine Tank Battles in the Pacific. Da Capo Press, 2001.
Green, Michael, “M4 Sherman – Combat and Development History of the Sherman Tank and All Sherman Variants”. MBI Publishing Company, 1993.
Hunnicutt, R. P., “Sherman – A History of the American Medium Tank”. Presidio Press, 1978.
Zaloga, Steven J., “Tank Battles of the Pacific War – 1941-1945”. Concord Publications Company, 1995.
Zaloga, Steven J., “Sherman Medium Tank – 1942-45”. Osprey Publishing Ltd., 2005.
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